"Dizem que ela existe pra ajudar..."

Em geral, Montreal é uma cidade pacífica. Uma pesquisa rápida nos índices de criminalidade da ilha e a gente respira praticamente aliviado, principalmente quem tá acostumado com a violência nas grandes cidades brasileiras. No entanto, a ideia desse post não é me arriscar comparando dois países tão diferentes, mas falar de um ato - como classificá-lo? - absurdo que aconteceu aqui essa semana.

Na terça-feira, policiais mataram duas pessoas na região do centro numa circunstância que eu classificaria de banal (pra ser simpática). Entre 6h e 6h30 da manhã, um sem-teto velho conhecido da polícia estaria usando uma faca pra abrir sacos de lixo e, num determinado momento, passou a usar a arma branca pra ameaçar, sabe-se lá por quê, os agentes da polícia que o viram. Aparentemente, a atitude do homem descontrolou os policiais, que atiraram e mataram-no. Não bastasse a covardia com o morador de rua (gente, vamo combinar que a superioridade da polícia é praticamente indiscutível nesse caso?), os policiais ruins de mira ainda conseguiram atirar num transeunte, um homem comum, INOCENTE, que se dirigia pro trabalho.

O troço foi tão descabido, que os agentes que participaram diretamente da ação foram parar no hospital por conta de uma crise de nervos. Aí eu me pergunto: que diacho de polícia despreparada é essa? Depois do acontecido, outras pessoas formularam perguntas menos imbecis que a minha e começou-se um debate sobre a formação que recebem os policiais - aí incluído um possível treinamento pra se usar a arma de fogo ao menor sinal de perigo -, quem deve investigar esses homicídios (a justiça comum? A corregedoria de polícia?) etc.

Ontem, ou seja, no dia seguinte a essa confusão toda, um grupo de 200 a 300 pessoas foi para o local onde tudo aconteceu para protestar contra o que eles classificam de "brutalidade policial". Pelo o que conta a imprensa, a manifestação foi pacífica, exceto por alguns manifestantes que lançaram objetos durante o protesto, quebrando vitrines de algumas lojas. Ninguém foi preso.


E por mais clichê que seja, não tem como não lembrar dos Titãs,
de quem aliás tomei emprestado o título desse post.
Mas pra não me perder filosofando demais sobre a estupidez humana,
eu foco nos backings vocals com o sotacão paulistano, que eu a-do-ro.

Pra saber mais sobre o caso:

Comentários

Thiago disse…
1. Despreparo total, como já disse no FB. Não tenho outro termo para essa tragédia. Espero que algo mude rápido.

2. Paulistano não tem sotaque.

Bjs!
Camila disse…
HAHAHAHAHA

Pô, Thiago, foi mal. Corrigindo: adoro a falta de sotaque do paulistano ;o) Beijos também!
Unknown disse…
que horror ! *_*
e os policiais foram presos ??

abraços;
Catherine
http://meetyoutherecanada.blogspot.com/2011/06/how-old-are-u-now.html (novo post)
Camila disse…
Oi, Catherine,

Acho que ainda estão sendo investigados, mas não tenho certeza porque desde ontem não vi nem li nada sobre o assunto.
Ma disse…
aqui em Van so se fala nisso...
Anônimo disse…
Eu acho que essa foi uma tragedia que depois de "explodida", mostrou várias tragédias que a formaram. Que acontecem em toda a sociedade ocidental, em menor ou menor grau (nao estou dizendo que na oriental nao tenha, apenas nao conheço nada da oriental!): a indiferença para com os itinerantes; o abandono pelo estado, pela sociedade e pela própria familia; o despreparo da policia;
A tragédia, com suas tragédias é triste, mas no dia seguinte, ela ainda consegue ser mais esdrúxula:
Li que a familia estava reclamando que a indenizaçao é de apenas $15k.
Perai gente?? O cara nem esfriou ainda e já tao falando em indenizaçao? tudo bem que nao conheço as circunstancias da vida dele e da familia, mas a primeira questao que me veio a mente depois de ler isso foi: "perai, mas onde esteve essa familia esse tempo todo onde Mario era itinerante, que ficou até conhecido da polícia???"
Além do mais, em lugar nenhum do mundo indenizaçao deve servir para compensar a perda de uma vida, pq. nao há como estimar o valor de uma vida! O maximo que uma indenizaçao pode cobrir é um parcial por perdas e danos, que tb. é bem subjetivo, mas isso vem pouco ao caso.
O que me choca, é que as vezes, certos familiares parecem ver na tragédia uma oportunidade de tirar uma casquinha. Se tivessem dito "queremos que o estado pague para que nao aconteça com outros e que sirva de exemplo e com o dinheiro queremos criar uma ong para ajudar a tirar os itinerantes da rua", por exemplo, acho que eu compadeceria, mas o interesse me fez ter em mente um perfil de familia que deve ter contribuido e muito para Mario a ser itinerante. Serviu tb. para ver que o ser-humano está cada dia mais vendido.
Já que salvar Mario nao é mais possivel, restam-me duas esperanças:
a) que o episódio de Mario sirva para rever a formaçao policial desta sociedade
b) que a matéria do jornal tenha mentido e mexido no que a familia disse ao jornal e que eu seja obrigada a retirar tudo o que disse acima sobre ela (vc. que é jornalista deve saber que isso ocorre com “certa” frequência, né?)

bjocas
Erika
PS: Camiiiila, mewwww, cômásssssinnnn? U Thiaagu tá suuulper cééértu: hagêntch num têimmmm sôták neinnhunnn!!!! Tá ligaada?
Lucianna disse…
infelizmente temos uma policia que soh serve pra dar multa pra carro parado ou tirar mulher gravida de dentro do carro em plena ponte porque a licenca do carro expirou!!!!! Acho te eles tem que ir fazer um intensivao la no Brasil
Anônimo disse…
paulista tem sotaque sim!
não fala porrrta caipira...fala porta, enrolando o r....trrrrrr...é tão dificil q até eu vou pro caipirão! rs
kkkkkk
bj

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