Reproduzindo no Québec

Dia 15 eu pari. Dei à luz uma menina, um troço, uma delícia, a perfeição num corpo miudinho. Mas não é exatamente sobre ela que quero falar, embora, obviamente, ela seja meu assunto favorito. Sobre essa pessoinha, que tenho a honra de chamar "minha filha" (de boca cheia, evidentemente), falarei num outro blog, que já tá pronto, mas eu tô sem tempo de começar a escrever. Com os leitores do Hemisfério, eu quero falar um pouco sobre a minha experiência com o sistema de saúde do Québec voltado para mocinhas grávidas e recém-paridas.

Quem lê esse espaço há mais tempo sabe que eu tenho uma médica de família. Pois é! Eu tenho. Daí que quando engravidei, todo o meu pré-natal foi feito com ela. Como, felizmente, a gravidez correu na boa, não precisei visitar nenhum especialista, mas, se fosse necessário, caberia à minha médica de família me encaminhar pra um.

Ao contrário do que acontece na rede particular do Brasil, em que todo mês rola uma ultrassom, aqui são só duas ultras durante toda a gestação. Uma no 5° mês e outra no 8°. Pra quem quiser, claro, é possível pagar por outros exames do gênero em clínicas privadas.

As visitas ao médico são mensais até o 30a semana, quando passam a ser quinzenais até a 37a, quando, enfim, passam a ser semanais. Mas e o que acontece nessas consultas? Bom, pelo menos comigo elas foram assim: pesa; tira pressão; ausculta coração e pulmões; examina a urina pra ver se tem vestígios de sangue, proteína e glicose; ouve o coração do bebê (uma versão pobrinha do ultrassom) e bate um papinho pra tirar dúvidas e saber como anda a barriguda. Entre uma consulta e outra rolam uns exames de laboratório.

Algumas mulheres optam por terem uma doula (accompagnante à la naissance em francês e doula mesmo em inglês) e/ou uma parteira (sagefemme em francês, midwife em inglês) pra acompanharem a mulher durante a gestação e, principalmente, durante o parto. O mais bacana é que o trabalho dessas profissionais é regulamentado no país e permite que a mulher tenha seu filho no lugar em que ela achar mais confortável: no hospital, numa casa de parto ou na sua própria casa.

Eu tive a sorte de parir no St-Mary's Hospital. Explico porque me sinto sortuda: o St-Mary's é considerado "Amigo da Criança", selo do Unicef para instituições de saúde que respeitam as escolhas da mãe e estimulam a amamentação exclusiva durante os 6 primeiros meses de vida da criança. Bacana, né?

Nas salas de parto do hospital, além de todo o aparato médico convencional, um chuveiro com ducha relaxante (infelizmente não tem banheira) e a possibilidade de contar com alternativas para alívio da dor das contrações: bola suíça e tocador de CD (disponíveis na própria maternidade), acupuntura, massagem, caminhadas, posições de yoga... Lá vale de tudo pro conforto da mãe. Aliás, recebemos um material do governo no qual está claramente escrito que a mulher tem o direito de fazer o que bem entender durante o momento do parto. Seus desejos devem ser atendidos, e isso inclui coisas simples como fazer um lanchinho no meio do trabalho até algo mais complexo, como optar por não sofrer intervenções médicas diversas associadas ao parto no meio hospitalar.

Mas e o pós-parto?

Também não tenho do que me queixar. Além de ter contado com o apoio da equipe de enfermeiras do St-Mary's, que estavam sempre disponíveis e, de quebra, com um sorriso cúmplice no rosto, médicos e residentes do hospital se mostraram super cuidadosos com nós três. Sim, a mãe recém-parida diante da novidade do primeiro filho, o bebê recém-chegado a esse mundo e o pai. Aliás, o pai é super bem acolhido no hospital, tirando o fato de que o coitado dorme numa poltrona. O papel dele durante todo o parto e o pós é respeitado e, sobretudo, estimulado pela equipe. Maravilha!

Além disso, antes de saírmos do hospital, eles entram em contato com o posto de saúde do bairro onde mora a nova família para que enfermeiras visitem bebê e mamãe em casa. Isso mesmo! Em casa. Daí que tivemos alta numa sexta e, na segunda, duas enfermeiras foram até nossa casa para uma visita de cerca de 1h30. Além de um bate-papo sobre como anda a adaptação dos pais a essa nova realidade, dicas sobre amamentação e um questionário detalhado sobre quantos cocôs e xixis o bebê faz por dia fazem parte do pacote desse encontro. Ah! E ainda dá pra saber o peso do bebê, pois as enfermeiras andam com uma balança portátil.

No caso de mães que querem amamentar e têm alguma dificuldade, existe a clínica de amamentação do St-Mary's, que conta com profissionais especializadas no assunto. Uma maravilha pra quem tá com os peitinhos preguiçosos!'

Falando em preguiça, se vocês me permitem vou ali curtir uma preguicinha a duas.

Salut!

Comentários

Tatiana disse…
Parabéns pela filhota!!!!!! Muitas felicidades e saúde para sua menina!

Bjs

Tatiana
Camila disse…
Parabéns pela mais nova integrante da família... coisa mais linda e rica!

Mta saúde pra vcs e algumas horinhas de descanso (q nao faz mal à ninguém!).

Abs,
Camila
Anônimo disse…
Coisas lindas!!

Acho tudo de lindo esse sistema super acolhedor à maternidade, todo mundo que usa comenta que os profissionais demostram muita paixao pelo que fazem!

Bjocas e felicidades para toda a família!

Erika
PS: Mas é impossível nao rir com esse nome doula!!
Eric Sobral disse…
Muito massa o post, explica muita coisa para as futura mamães. Assim que lançar o outro blog me conta qual o endereço pra eu acompanhar também. :)
Paloma Varón disse…
Camila, ela é linda, uma gostosura!
E, como já te falei outrras vezes, vc é uma privilegiada de poder contar com este aparato, com este respeito por parte do sistema. Aqui no brasil estamos na luta contra a violência obstétrica, que é praticada amplamente, tanto nos hospitais particulares quanto nos públicos.
Se tívessemos metade destes direitos garantidos, os nascimentos aqui seriam mais felizes. Como foi o da Nina!
Quero ver o blog novo, aiaiai, adoro!
Beijos
Ma disse…
Uau!!! Que notícia maravilhosa!!!
Parabéns e Deus abençoe!!!!
meu Deus que coisinha mais fofinha!!!
Muita saúde e alegria pra vcs!
Camila disse…
Nossa! que lindo! que sonho! parabéns! Sou enfermeira e doula no Brasil, mas sonho com o dia de chegar e trabalhar com isso no Québec! Aqui no Brasil, ainda estamos engatinhando na humanização do parto, ainda vivemos numa cultura de cesáreas sem nenhuma razão. É maravilhoso saber que a realidade do país escolhi para viver (só falta o visto!) é aquela que eu sonho em ver um dia também no Brasil. :)
Parabens Camila! Curte tua baby e não deixa de divulgar o novo blog!
Priscilla.
Joy Lins disse…
Parabéns, Camila!
Adoro seu blog (vc escreve mt bem!) e adorei a novidade da bebê linda. Desejo td de bom p vcs!
bjs

Joyce (uma baiana q acaba de pegar o CSQ hehehe)
Claudia e João disse…
parabens pela fofurice em forma de gente ;)

um beijo nas duas!
paulinho disse…
Precisamos de mais fotos de Nina!!!
Mirian disse…
Parabems, Camila! Que Deus abencoe essa coisinha linda e vcs todos como familia!

Bjs ;)
parabéns!!! E a bebê sorri na foto! Coisa linda!!!

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