Que barulho será esse?

Maridón e eu no 13° sono, quando ouvimos alguém bater delicadamente na porta do apartamento. Nós dois acordamos, mas não nos movemos. Vai que era alguém batendo na casa do vizinho ou um outro som qualquer que nos deixou confusos? Afinal, quem ia nos pedir uma xícara de açúcar demerara aquela hora da noite? Ficamos imóveis, apenas com os ouvidos atentos no caso do som se repetir.

Segundos depois, ouvimos alguém bater novamente. E não restou dúvida: era mesmo aqui em casa. Nesse pouco tempo, eu já tinha feito uma lista interminável de desastres e, ao mesmo tempo, tentava desfazê-la: 1. Ai, meu Deus, será que é incêndio? Não deve ser, pois o alarme ensurdecedor não tocou, e se tudo estivesse pegando fogo, acho que a pessoa bateria na porta com mais afinco. 2. Vije, gente! Será um ladrão? Pensando bem, não acho que ele bateria na porta, ele iria arrombá-la mesmo.

E por esses caminhos tortuosos, perdida entre pessimismos e otimismos, vagou a minha imaginação sofrida.

Bom, confirmada a tentiva de contato, maridón levantou, pôs uma roupa apresentável, olhou pelo olho mágico e abriu a porta. Enquanto isso, eu estava estatelada na cama, com os olhos arregalados, orando em aramaico, na tentativa de evitar que alguma coisa bizarra acontecesse. Em inglês, um jovem se apresenta como sendo nosso vizinho de baixo, pedindo desculpas e dizendo que a namorada dele estava ouvindo passos de chinelo e, como já era tarde, ela estava incomodada e tal. Do quarto, eu tento entender o diálogo, mas encolhida debaixo do edredon ficou bem difícil.

Daí que maridón pergunta: esse barulho foi agora? No que o cara respondeu afirmativamente, meu gatinho pediu desculpas e disse que ela deve estar enganada, pois as duas únicas pessoas que moram no apartamento estavam dormindo. O cara desculpou-se mais uma vez, e retirou-se com a namorada - que estava escondida no corredor-, sim, ela, a fofa com o ouvido de tuberculosa.

Ainda esperando por uma tragédia, mas dessa vez "corajosamente" sentada na cama, com o celular na mão pronta pra discar 911, pergunto o que aconteceu. Depois que Maurício me explica, diz, já bocejando: vai ver que eles são novos aqui e não estão acostumados com esse barulho que faz o aquecedor quando está tudo silencioso. E pôs-se a dormir. Eu levei séculos pra pegar no sono de novo, pois estava convencida de que alguma alma penada está passando as madrugadas aqui no apê e, brincalhona, curte atrapalhar os vizinhos do terceiro andar.

Eu nunca quis tanto na minha vida que Maurício estivesse certo, e eu errada. Amém.

Não quero saber de ninguém pisando nas minhas baianinhas, hein?
Além de serem presente de um casal querido, ainda nem as usei.
Espíritos fanfarrões, favor brincarem em outra freguesia

PS: Engraçado que esse fato aconteceu justo na semana em que escrevi uma crônica pro Métro sobre a relação, digamos, íntima, que estabelecemos com nossos vizinhos. Tudo por conta dessas paredes de papel. Pra quem vai de francês, clica aqui.

Comentários

Hehehehe post hilário.

Um abraço,

der doppelgänger
Tatiana disse…
Impossível não dar altas gargalhadas no final do post..... hahahahahaahh

Na casa da minha famille québécoise eu escutava tudo quanto é barulho. DA vizinha debaixo, dos vizinhos de cima. Sem contar dos passos deles pois meu quarto ficava no basement. Uma vez, justamente quando eles foram viajar pro campo - final de semana pois eles têm um chalé - a fechadora da porta principal quebrou e eu não conseguia trancá-la. O senhor de cima, que tinha a chave da casa e era de confiança deles, me falou para colocar uma cadeira na tetnativa de "travar" a fechadura e fechar a outra porta mas eu acho que n achei a a chave ou nao trancava não lembro rs eu só sei que dormi o tempo todo tensa e qualquer barulho que eu escutava achava que era um ladrão!!! hua isso que é neurose de viver no Rio de Janeiro! Rs Afe!
Mariana disse…
Aqui em casa não tem jeito: qualquer passinho é ouvido no andar de baixo. Mas no apartamento onde morei até que foi tranquilo. Ou as pessoas eram muito silenciosas ou eu não ouvia porque a minha galerinha fazia mais barulho, rs.
Agora, se for mesmo alma penada, tudo bem, desde que ela continua fazendo barulho no ape de baixo, rs.
Ahahaha...adorei...adorei tb o texto do Métro!!! COngrats!
Eric Sobral disse…
Você deve ter ficado com a mesma cara de medo do dia que a gente foi espiar os gatos da fapesb coisando.. sahuasuhashuashu

Massa o post, ri demais aqui com suas palhaçadas. E sim, eu "vou de francês". Seus posts estão ficando cada vez mais fáceis de serem lidos. :)
Liana disse…
Heheheh... Eu ja perderia o sono fácil! Bom, li tudinho no blog e agora vou entrar pra turma do seu pai e esperar (ansiosamente) por novos textos!

Falei pr meo marido, "ela é do nosso nordeste e não morreu congelada, a gente também consegue!".

Hoje é dia de recomeçar o francês, em julho vamos iniciar o processo com o escritório de imigraçao aqui em sp!

Bjs
Patinha. disse…
Simplesmente sinistro,hehehe..sabe que isso me lembrou um ap que morei com minha mãe quando tinha uns 11 anos ..quando íamos dormir ouvíamos um barulhinho de algo arranhando dentro do armário de cima ,abríamos,esvaziávamos e nada!! Parávamos de procurar e começava tudo de novo!! Nunca soubemos o que poderia ser..mistérios....hehehe..

Bjs pra vcs!!
Claudia e João disse…
Estamos indo a Montreal na Pascoa! Encontrinho? Beijo!
Tati disse…
Ja imagino teu olho arregalado rsrs
Unknown disse…
Simplesmente me mijei de rir...
Beta Takaki disse…
hahahahaha tb no dormiria nao!!

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