Salão do livro de Montreal

Quem lê o blog sabe: sou a rainha dos eventos gratuitos da ilha e não nego. Mas esse fim de semana tirei o escorpião do bolso e fui visitar o Salão do Livro de Montreal. E a-do-rei! Programão! Sem falar que tava um frio danado lá fora e dentro da feira tava uma delícia de quentinho. E que mistura boa é literatura e um calorzinho bom. Só faltou um chocolate quente! Aliás fica a dica pra edição do ano que vem: alô, produção! Chocolate quente de graça pros visitantes!

Bom, pelo o que percebi acompanhando pela imprensa e indo lá, lógico, é que realmente foram seis dias de programação intensa. O salão contou com 950 estandes e mais de 300 escritores por dia (!!!!) autografando seus livros. Além disso, estavam à venda 3.500 livros só de editoras quebequenses, 65 no total; o que não quer dizer que eram todos autores daqui, tá? Mas combinemos que uma única província ter 65 editoras é um luxo! Quantas editoras temos na Bahia? Não tenho ideia...

Claro que também estavam à disposição do público clássicos da literatura mundial (esses não podem faltar!), além de livros escritos em outros países francófonos, principalmente França e Bélgica. Infelizmente não achei dados de quantas pessoas visitaram a feira (que falha da assessoria de imprensa, diga-se!), mas imagino que tenha sido um sucesso. Quando fui no sábado tava uma muvuca louca!

Pelo tempo que passei lá, a impressão que ficou é que a maioria dos livros à venda eram romances (normal, né?), mas também tinham muitos livros de arte, científicos (quase nada, hein?), auto-ajuda, receitas (fenômeno!) e uma parte imensa de livros pra adolescentes e crianças. Aliás, se tem uma coisa que me impressiona aqui é o quanto as crianças leem. Ou pelo menos parecem ler. Quem frequenta a Biblioteca e Arquivos Nacionais do Québec sabe do que eu tô falando. Tem sempre uma fofurinha com uma das mãos grudada nos pais e a outra fazendo malabarismos pra carregar o tanto de livros que levarão emprestados pra casa.

Eu sou uma total desinformada conheço pouco sobre os autores locais (o único que li, na época da francisação, odiei tanto que até esqueci o nome e traumatizei), mas aqui a produção local pulsa. Tudo aqui é muito e, o que é melhor, muito consumido pelo mercado interno. Seja na música (Céline Dion não conta, pois canta em inglês e não faz música típica), nas artes cênicas (Guy Laliberté, o nome milionário por trás do Cirque du Soleil, também não. Esse já é do mundo) ou no que mais você quiser...

Tá, você tem todo o direito de não gostar do que é feito por aqui o que conheço de gente que queria que Céline Dion tivesse afundado junto com o Titanic não tá no gibi, mas justiça seja feita: os caras são orgulhosos de si. Porém não no mal sentido. Pelo menos não é assim que vejo. Me parece ser mais uma questão de amor próprio! E não é admirável amar a si mesmo e tentar preservar a própria cultura?

Logo na entrada já deu pra sentir o clima

Prateleiras só com clássicos

Uma das várias conferências do sábado

Muvuca

Não, Guy Laliberté, criador do Cirque du Soleil não tava lá no Salão,
mas já que o citei por aqui, olha ele aí todo fanfarrão
recebendo sua estrela na Calçada da Fama de Hollywood ontem
(Foto do jornal La Gazette)

Ah! Já ia esquecendo. Maridón e eu não saímos do Salão de mãos abanando. Pessoas completamente imaturas joviais que somos, compramos dois quadrinhos. Nenhum dos dois é feito aqui no Québec. Abafa!

Comentários

Paloma Varón disse…
Adorei o segundo livro, também amo quadrinhos!
Beijos
Tatiana disse…
ah não fale mal da minha céline hHAHAHAHAHA adoro ela! E ela canta em francês e tem músicas típicas sim hehe principalmente no início da carreira dela heheh

Mas enfim, chocolate quente + livros realmente é uma combinação maravilhosa!!!! :)

Bjs
Alexandre disse…
Oi "Camília" !
Escutei no rádio hoje voltando pra casa: 126.000 pessoas foram ao Salão.
Dos escritores da nova geração do Québec, indico a Nelly Arcan(infelizmente se suicidou, mas deixou 4 ótimos livros) e Kim Thuy(o livro RU ganhou um prêmio literário este ano). Mais antigo, Yann Martel(life of pi) e o brasileiro "québécois" Sérgio Kokis. O livro "Le pavillon des miroirs" é sensacional, ganhou todos os prêmios literários em lingua francesa em 1994.
Anônimo disse…
Ai, que legal! Quando li uma reportagem sobre esse evento minha vontade de já estar aí só aumentou...
Abçs,
Lídia.
Anônimo disse…
Até consigo imaginar Camilinha enlouquecendo nesta feira.
Em maio se tiveres a fim da pra juntar as duas coisas numa só: aqui em Laval rola uma ,mega feira de livros usados, vendidos por quilo. A entrada é free-gratis, olha que maravilha. E por incrivel que pareça, quase todos os livros usados parecem novos. Alías, tem livros que sao realmente novos, faziam parte de bibliotecas e nunca foram abertos pelos alunos...Sei que no ano que fomos, compramos com 5 dolares uma sacola cheia de livros.

Bjocas
Erika
puxa Cãmila!!! tanto tempo sem passar aqui e quando venho, você foi no salão do livro!!!!!!!!! realmente um desses por aqui por Salvador está bem longe de acontecer... que eu saiba, na Bahia temos umas 4 editoras :(

mas tudo bem! continuamos escrevendo mesmo assim!! beijo bem quentinho pra você!!

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