Conto de aniversário
No final dos anos 1970, dois jovens, ela, 17, ele, 23, juntaram os trapos com direito a chá de cozinha, testemunha em cartório, casamento em igreja e arroz cru arremessado na cabeça.
Provenientes da classe média baixa brasileira - ela, do interior de Alagoas, ele, do interior da Bahia - foram tentar a vida em Salvador, terra com melhores oportunidades.
Alugaram um estúdio no bairro da Saúde, região central da cidade, que, na época, era um lugar aprazível, e hoje, é um famoso ponto de tráfico de drogas.
Ele, empregado em firma multinacional, ela, sendo desafiada pelos livros da universidade. A vida ia bem. O dinheiro era apertado, mas pagava as contas. Até sobrava alguma coisa para o lazer.
Fã da sétima arte, ele aproveitou uma sobra orçamentária e a levou ao cinema para assistir a um grande sucesso. Com três anos de atraso, havia chegado a Salvador o único filme de terror a concorrer à categoria máxima do Oscar.
Na sala escura, o longa entretinha a platéia, enquanto ameaçava uma espectadora em especial.
Ela, apesar dos então 18 anos, não teve a maioridade emocional para suportar os contorcionismos, vozes múltiplas e vômitos que atormentavam a representação daquela inocente criança projetada na tela.
Findada a exibição do filme, o terror saiu do cinema e encontrou morada certa: os recônditos das emoções da pobre moça.
Dias e semanas depois de ter visto o filme, ela não se curava daquele pavor. Passou a ouvir estranhos barulhos no apertado estúdio e, por conta disso, mantinha todas as luzes do imóvel acesas, corria desesperadamente quando precisava ir ao banheiro, esperava no playground o marido retornar do trabalho...
A maldita película havia feito da sua pacata vida de recém-casada uma seqüência de ameaças sobrenaturais. Voltar da faculdade e ficar sozinha naquela casa era um tormento.
Ela precisava se libertar das lembranças aterrorizantes do que vira no cinema. Não podia contar com a família, que ficara em Alagoas; as amigas certamente caçoariam de seu pavor; e o marido, trabalhava demais.
Mas ela estava decidida a exorcizar aquele medo e, ao contrário da protagonista do filme, não necessitava de nenhum padre para realizar qualquer ritual, apenas de uma companhia constante.
Quando, então, chegava à beira de um colapso, deu seu grito de liberdade e, decidida a nunca mais ficar sozinha, decretou: EU VOU ENGRAVIDAR!
E foi assim, minha gente, depois que meu pai levou minha mãe para ver O Exorcista, que ela parou de tomar pílula. Sete meses depois, veio ao mundo esta que vos escreve, com pouco mais de 2 kg e a singela missão de salvar a mãe desse terrível trauma cinematográfico.
Minha sorte é que meu pai não a levou pra assistir ao Bebê de Rosemary. Já pensou?
PS: Eu ia colocar uma foto de Linda Blair, protagonista d'O Exorcista, caracterizada para as cenas de terror do filme, mas, na hora em que eu estava procurando a foto, uma faca caiu do nada aqui em casa e eu fiquei com um medo da po**ra! Por isso optei por essa imagem meiga na calçada da fama. ;o)
Provenientes da classe média baixa brasileira - ela, do interior de Alagoas, ele, do interior da Bahia - foram tentar a vida em Salvador, terra com melhores oportunidades.
Alugaram um estúdio no bairro da Saúde, região central da cidade, que, na época, era um lugar aprazível, e hoje, é um famoso ponto de tráfico de drogas.
Ele, empregado em firma multinacional, ela, sendo desafiada pelos livros da universidade. A vida ia bem. O dinheiro era apertado, mas pagava as contas. Até sobrava alguma coisa para o lazer.
Fã da sétima arte, ele aproveitou uma sobra orçamentária e a levou ao cinema para assistir a um grande sucesso. Com três anos de atraso, havia chegado a Salvador o único filme de terror a concorrer à categoria máxima do Oscar.
Na sala escura, o longa entretinha a platéia, enquanto ameaçava uma espectadora em especial.
Ela, apesar dos então 18 anos, não teve a maioridade emocional para suportar os contorcionismos, vozes múltiplas e vômitos que atormentavam a representação daquela inocente criança projetada na tela.
Findada a exibição do filme, o terror saiu do cinema e encontrou morada certa: os recônditos das emoções da pobre moça.
Dias e semanas depois de ter visto o filme, ela não se curava daquele pavor. Passou a ouvir estranhos barulhos no apertado estúdio e, por conta disso, mantinha todas as luzes do imóvel acesas, corria desesperadamente quando precisava ir ao banheiro, esperava no playground o marido retornar do trabalho...
A maldita película havia feito da sua pacata vida de recém-casada uma seqüência de ameaças sobrenaturais. Voltar da faculdade e ficar sozinha naquela casa era um tormento.
Ela precisava se libertar das lembranças aterrorizantes do que vira no cinema. Não podia contar com a família, que ficara em Alagoas; as amigas certamente caçoariam de seu pavor; e o marido, trabalhava demais.
Mas ela estava decidida a exorcizar aquele medo e, ao contrário da protagonista do filme, não necessitava de nenhum padre para realizar qualquer ritual, apenas de uma companhia constante.
Quando, então, chegava à beira de um colapso, deu seu grito de liberdade e, decidida a nunca mais ficar sozinha, decretou: EU VOU ENGRAVIDAR!
E foi assim, minha gente, depois que meu pai levou minha mãe para ver O Exorcista, que ela parou de tomar pílula. Sete meses depois, veio ao mundo esta que vos escreve, com pouco mais de 2 kg e a singela missão de salvar a mãe desse terrível trauma cinematográfico.
Minha sorte é que meu pai não a levou pra assistir ao Bebê de Rosemary. Já pensou?
PS: Eu ia colocar uma foto de Linda Blair, protagonista d'O Exorcista, caracterizada para as cenas de terror do filme, mas, na hora em que eu estava procurando a foto, uma faca caiu do nada aqui em casa e eu fiquei com um medo da po**ra! Por isso optei por essa imagem meiga na calçada da fama. ;o)

Comentários
Eu já conheço mais ou menos essa história... ouvir ao vivo foi melhor ainda !
Mas o conto ficou muito bom
Veja bem, caiu a faca é "porque vai chegar uma mulher em sua casa". Mehor pensar assim, rs !
Beijão
e parabéns mais uma vez (depois do orkut...)
Bjs. Te amo, te amo, te amo, te amo.
Mamis
Esse negócio de mulher chegando em minha casa também não tá dando certo, não? Maurício te contou alguma coisa que eu não tô sabendo. Ai, ai............ ;o))))
Beijos, querido!
Se minha vida começasse de uma maneira normal, eu não seria o que sou hoje. Graças a Deus que você também tem um parafusinho a menos, né? ahhahaha
E muito do que sou, devo a você! Nenhuma forma de gratidão será suficiente para lhe agradecer o que você me deu: a minha própria vida.
Te amo muito mais!
Sei não se a inspiração foi das melhores, mas o resultado certamente foi nota 10!
Viajamos no fim de semana e só cheguei agora, meio tarde pra ligar pra dar parabéns "ao vivo", mas...
Feliz Aniversário menina bonita e querida!!! Muitos, muitos anos de vida!!
Beijinho,
Keiko e cia
Ainda bem que você é uma mocinha equilibrada e vai encher esse mundo de crianças lindas, sorridentes, falantes, inteligentes e poliglotas só por amor! :oD
Keiko, adota eu! ;o)
Beijos!!
PS: Vou te mandar um e-mail pra conversa render um bocadinho mais.
depois vi que era sua mãe, e conclui que a senhorita faz (fez? fará?) aniversário por esses dias... fica o parabéns!
beijoca!
HAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHAH
Não sei se eu tô rindo mais do que você disse sobre os bebês sorrirem para o vazio e falarem com as paredes ou sobre o "analfabetismo funcional". HAHAHAHAHHAHAHA
Brigadíssima, querida! Meu aniversário foi ontem, sim.
Beijos!
Somente li o post agora e realmente vc não poderia ser normal de forma alguma. Hahahahahahaaha!!!!!!!!
Tudo de mara pra vc, meu amor!!!
Te amooooo.
Beijão.
Essa história é vero mesmo? Se for, dá um filme.. (for da, soou estranho, mas vá lá)
Beijão
Eric
Love you forever!
Valeu, Paloma!!!! :o))))
Mancebo, sou jornalista, rapaz. Meu compromisso é com a verdade, esqueceu??
Beijooos, queridos!
Beijoss
Me diverti "horrores" com esse conto. FABULOSO!!! Seu pai estava insistindo "de hoje" para eu elr e hoje resolvi dar uma passadinha aqui. "Morri" de rir.
Beijos, querida.
Vanessa
Oi, Van, brigada! Pois é, menina, é a mais pura verdade...
Beijooooooooooos!
Confesso que estou morrendo de inveja da inspiração da sua mãe hahahahaha.
(a faca no final eh a cereja do bolo)
Pois é, menina! A motivação para a minha concepção é tão louca que eu precisava compartilhar com todo mundo! ehehheheh
E o lance da faca foi bizarro! ahhahaha Ainda bem que a francisação começou e eu não fico mais em casa de bobeira! hehehehe
Beijoooos!
PS: Quando a gente se vê de novo? Tô me organizando pra ir prum São João de brazucas dia 27 (te mandei um e-mail sobre?). Bora?
Minha mãe é doida, isso, sim!!! hahahahahah
Que bom que você gostou do blog, amore! Passa sempre aqui!
Beijoooo, pequena!
Brigada pela visita, frôzinha. Vem sempre aqui pra gente matar a saudade!
Beijooos!