Noite em branco

Cá no hemisfério Norte, o pessoal inventa cada coisa pra gente esquecer que tá frio... Cidades de países como a França, a Itália, a Romênia, a Alemanha e a Espanha elegem uma noite no inverno pra colocarem à disposição da população uma série de atrações culturais a preços populares ou de graça. Montreal - e sua inegável tendência festeira - não fica de fora dessa programação e, na noite de ontem, rolou por aqui a 7a edição da Nuit Blanche.

É assim que funciona: durante toda a noite, em alguns casos podendo chegar até às 5h da matina, acontecem em alguns pontos da cidade shows de música, espetáculos teatrais, exposições de artes plásticas e exibição de filmes. Tudo ao mesmo tempo. Madrugada de deleite cultural! Como tem tanta coisa pra fazer (esse ano foram 180 atividades paralelas), o ideal é sair de casa com um roteiro preciso, senão a gente entra em parafuso sem saber o que fazer. Ou então ficar de bobeira mesmo, curtindo o que aparecer. Vai do gosto do freguês. A gente optou por uma mistura dos dois. Fizemos um roteiro que foi se modificando à medida em que algo na rua nos chamava a atenção.

A place des spectacles estava iluminada desde o dia 18,
quando começou o Festival des Lumières
...

... que foi encerrado ontem, durante a Nuit Blanche, entendeu?

Esses aqui prefereriram parar pra conversar
ao lado de um fogo quentinho...


Já nós resolvemos começar nossa noite
no museu de belas artes

Mas como tinha de pagar pra ver a exposição em cartaz e
a gente tinha decidido curtir só o que fosse 0800, fomos embora.
O museu é lindo, mas fica pra depois.
Aliás, curtir museu com pressa não é justo!

No meio do caminho, uma escultura retrata
o chamado maior amor do mundo


Quilômetros depois, outra escultura, dessa vez de gelo,
chamava a atenção para o perigo do aquecimento global.
Símbolo da luta, essa representação de urso polar
estava literalmente derretendo

(por isso esse rosto sem rosto)

Fachada da basílica-catedral Maria Rainha do Mundo,

onde um coral afinadíssimo se apresentava...

... enquanto a atração principal não chegava:
a organista Hélène Dugal


Detalhe de ornamento no altar da basílica

Difícil não achar que a vida é boa,
vendo tanta beleza ao som de Bach


A gente ainda passou num outra igreja católica, onde um outro organista mostrava seu talento, mas não deu pra fazer foto porque a igreja era muito escura e eu não queria perturbar a paz quase celestial do recinto com a luz do meu flash. Mas como nem só de música erudita vive o homem, lá fomos nós ouvir o som profano dos malucos do aRTIST oF tHE yEAR. Não conhecia e adorei! O som dos caras é bem tocado, divertido e nervoso. Na foto, banda e público se misturam:

Só espero que, às 3h da manhã, quando estava previsto o fim do show,
eles não tenham quebrado nada.
É que a apresentação aconteceu justo em frente à sala
onde a gente faz o pedido da bolsa escolar na universidade onde estudo
.
Por favor, preciso do meu "salário"

Um museu, duas igrejas e um show depois,
ainda paramos pra dar umas risadas com humoristas locais,
que se apresentavam num palco que era uma mini quadra de hockey no gelo


E por falar em rir, esse pessoal aí tava se divertindo horrores com esse karaokê ópera.
Isso mesmo, era só pegar o microfone
caprichar na cara-de-pau
e soltar o Pavarotti adormecido em você


Na volta pra casa, dava pra pegar um dos ônibus gratuitos
que interligavam os circuitos da festa


Justiça seja feita. O clima cooperou bastante. A sensação térmica era de - 4°C (o que pra essa época é lindo, creia!) e nem nevou, o que fez com que as ruas do centro, onde rolaram as atrações, estivessem cheias de gente bêbada feliz! Embora eu tenha gostado de tudo o que vi, e até do que não vi (vide o museu de belas artes), o que mais me deixou contente foi essa vitrine, que não tinha nada a ver com a Nuit Blanche:

Lembrar que logo vou poder usar bermuda?
Alegria profunda!!!!

Comentários

Paloma Varón disse…
Que legal, adoro! São Paulo tem a Virada Cultural, com algumas coisas inspiradas na Nuit Blanche. Participei de todas, mesmo quando a Ciça tinha dois meses (aí eu fui de dia, ver um show de Armandinho e moraes que era peretinho de casa).
Ô, saudade...

Beijos
Anônimo disse…
Meus queridos insetos alados, que bom poder saber que a vida por aí está um festa. Aproveitem bastante.
Passar por aqui é um prazer pra mim, sempre, seja pela possibilidade de estar próximo ou pelos textos que leio e fotos (muito boas) que vejo.
Gostei muito do karaokê e arrisco aqui uma música (espero que goste da minha - bela - voz, interpretação e domínio da lingua): "Io sole mio" e por aí vai. Obrigado.
Abração.
Miau.
Paty disse…
Oi O altar desta basilica parece o Baldacchino de Sao Pedro, Vaticano. bjs
Pôxa! Da maneira que você fala eu acabo achando Monte Real a cidade mais quente do mundo e ainda de quebra tem um friozinho para a gente não derreter. Realy uma city assim não precisa mais de propaganda. Adorei sua foto reportagem. Bjao.

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