Há exatos 6 meses...

...descíamos no aeroporto internacional Pierre-Elliott-Trudeau. Chegávamos em Montreal, cidade que escolhemos pra passar uma temporada (sabe-se lá de quanto tempo). Tenho um balanço desse período na minha cabeça, mas não é o caso de falar sobre ele no blog. O que posso dizer é ele é incomparavelmente mais positivo que negativo.

Não me arrependo de nada nesse percurso até agora (e tenho certeza de que Maurício também não). Começando pela dedicação extrema nos cursos de frânces. Foi cansativo, mas valeu a pena sair correndo pras aulas à noite, depois de um dia inteiro de trabalho. Pelo menos a gente não tem se batido tanto pra se relacionar com o pessoal por aqui.

Passando pela casquinhagem economia desgramada que fizemos e nos obrigou a recusar inúmeros convites de amigos pra sair e viajar. Tá, disso eu quase me arrependo porque os amigos são a família que a gente escolhe. Mas hoje vemos que estávamos certos. Só assim conseguimos pagar todas as etapas desse caro processo com nosso próprio suor. Sem contar que cada centavo que trouxemos fez a diferença aqui. E só quem economiza em real pra gastar em dólar sabe do que a gente tá falando.

Chegando até o momento do desembarque e os 6 meses que se seguiram...

Bom, não posso ser ingrata. Deixo aqui o meu (nosso) mais sincero agradecimento a todos os que nos apoiaram antes e depois da chegada. Aliás, a quantidade de brasileiros bacanas (leia-se corajosos e generosos) que conhecemos por aqui é difícil de acreditar. A gente tem muita sorte de ter conhecido cada um deles! Os gringos nativos com quem nos relacionamos também estão sendo maravilhosos na nossa adaptação, mas como eles não sabem ler português, então nem um merci perdido no meio do texto vai fazer sentido pra eles.

Mas pra não dizer que tô sonegando informação, deixo uma palhinha das minhas impressões depois desses 6 meses por aqui:

6 coisas que me fazem sorrir em Montreal:

1. Os milhões de festivais gratuitos de música. Muito bom curtir um pouquinho de sofisticação no meio da rua, sem gastar um tostão.

2. Abrir a torneira num banheiro público, depois de passar por uma ventania fria, e descobrir que a água que sai dela é deliciosamente morna.

3. Ser atendida com uma simpatia que parece genuína pela maioria dos vendedores, garçons e caixas (exceto pela galera que trabalha no Dollarama).


4. Observar árabes (mulheres evidentemente mulçumanas com seus véus) e judeus (daqueles ortodoxos de cachinhos e tudo) andando lado-a-lado nas ruas sem qualquer sinal de animosidade entre eles.

5. Ver o potencial da natureza nas transformações que as estações do ano provocam, seja na duração dos dias, nas mudanças de temperatura ou no visual das árvores (sempre elas, minhas queridas).

6. Nos dias frios, descobrir em cada esquina um bebê fofíssimo, todo empacotado, cheio de casaco, gorro e luvas. É de uma gostosura sem fim!

Elas despertam o lado seqüestradora em mim

6 coisas que aprendi em Montreal:

1. Ficar longe da família e dos amigos não é a coisa mais legal do mundo, mas também não é a pior. Um salve às maravilhas que só a Internet faz por você!


2. Dá pra ser um lugar organizado, em que a maioria das pessoas cumpre as leis e respeita o próximo, sem ser careta.

3. Parece mentira, mas é a mais pura verdade: andar pelos lugares sem a paranóia de ser assaltado ou abordado por alguém muito doido com uma arma de fogo em mãos existe (mas como boa brasileira, eu não desisto nunca de desconfiar dos outros).

4. Por falar em “mentira”... O forte calor no verão não é propriedade exclusiva de cidades tropicais. Aos descrentes, recomendo uma bela viagem pelo Canadá no mês de julho. Mas só no Sul do país, tá? Porque lá pra cima é covardia, já é quase Alasca. ;o)

5. Velhinhas impecavelmente vestidas entram numa lanchonete em que a trilha sonora é rock pesado e compram sanduíches feitos e servidos por jovens com corte moicano, piercings pelo rosto e incontáveis tatuagens sem qualquer problema. Se trabalha bem, sua aparência é indiscutível.

6. Deus realmente foi muito caprichoso na criação das manifestações da natureza, mas, na minha modestíssima opinião, seu momento de maior inspiração foi quando projetou as árvores. E o pessoal daqui entendeu que uma cidade arborizada deixa o mundo mais feliz.

Lindonas!

6 coisas que não entendo em Montreal:

1. Por que numa das cidades que mais neva nesse mundo, muita gente simplesmente não tem garagem? Será que é prazeroso passar uns bons 40 minutos tirando quilos de neve de cima do carro estacionado na rua em pleno inverno? (Fotos comprovando a existência desse fenômeno inexplicável nesse mesmo blog dentro de algumas semanas).

2. Por que eu fico derretendo quando faz 21°C por aqui e praticamente teria uma crise de hipotermia se estivesse sob a mesma temperatura em Salvador?


3. Por que a filha da mãe da corrente que sai do México vai direto pra Europa sem dar uma passada bem aquecidinha por aqui antes? Não é injusto estar na mesma latitude que os caras e passar muito mais frio?

4. Por que venta como se o mundo estivesse perto do fim na saída da maioria das estações de metrô?

5. Por que os insetos daqui são bem maiores que os nossos? Pelo menos, posso dar, infelizmente, meu testemunho com relação a pernilongos e centopéias.

6. E o maior mistério de todos: por que piriguete não sente frio nem no Canadá?

Só pra deixar bem claro que eu sinto muito, muuuuito frio!

Comentários

Thiago disse…
Posso me arriscar a responder algumas?

1. Garagem aqui na ilha de Montreal é CARISSIMA! Por isso que, quem quer garagem, ou é rico, ou se muda para o continente :)

3. As correntes do Oceano Atlantico são verdadeiramente malvadas conosco! Bastards europeans, que roubam todo o nosso calor!!

Os ítens 2, 4 e 6 continuam realmente um mistério para toda a humanidade :)

O site de vocês é simplesmente demais! Desde a arte até os textos! Sou fã!

Beijos e abraços pra vocÊs!
Camila disse…
Ô, Thiago...

Brigadão! Fica elogiando, não, senão eu acredito... =P

Olha, só pra você saber que você, Mirian, Keiko, Johnny e toda a turma lá super estão na lista dos brasileiros corajosos e generosos que são extremamente importantes para a nossa adaptação! De verdade!!

Beijo grande!
Márcia Knop disse…
Camis,

Estava mesmo lembrando de vc e essa sua "tara" por árvores. Não sei se vc já assistiu a um programa q passa no canal Futura, apresentado por Regina Casé, chamado "Um pé de quê?". A cada programa ela fala sobre uma espécie de árvore. Ontem foi sobre o baobá, e como tudo na natureza tem seu lado meio bizarro (e eu adoro bizarrice!), fiquei sabendo q o baobá só floresce uma vez no ano e q as flores são lindas e exalam um aroma de...carniça!!! Pire aí?! rs
Acho q Deus deu uma cochilada na hora de fazer essa frô!;oP

No mais, é isso aí, ninha. E q venham mais 6 meses!

Bjão!
Paloma Varón disse…
Adorei o balanço dos primeiros seis meses! Que venham os próximos! Mas tem que postar uma foto de uma piriguete canadense, de barriga de fora em pleno inverno para comprovar a última tese.
Beijos
Anônimo disse…
Tia Nazaré, me sequestra? ;o)
PoshDrosofila disse…
a questao que nao quer calar: o que é piriguete?????
Camila, nao tem conheço mas gosto muito do seu jeito de escrever e de observar o mundo.
Parabens pelos seus 6 meses de Montreal!
PoshDrosofila disse…
oups, nao te conheço... saiu um m la do lado do e...
rs
Tati disse…
Concordo com tudo que disse! hehe Morri de rir com o comentário da ventania nas saídas do metro! haha oh c'est vrai!!!! hahahah

Bjs
Tatiana
Unknown disse…
Já estava com saudades... Todo dia entrava no blog pra ver se tinha alguma novidade.

Parabéns pelos 6 meses! Vocês são um "case" de sucesso! É muito bom acompanhar esta trajetória desde o início até hoje.

Bjks,

Line
Camila disse…
Marcinha,

Já ouvi falar desse programa de Regina Casé (que tem sempre boas idéias), mas nunca tive oportunidade de ver. Vou procurar algo no Youtube pra minha "tara" aumentar mais ainda. hehehehe

Paloma,

Vou me esforçar ao máximo pra conseguir essa foto do ano! ahahhha

Mancebo,

De onde saiu esse Nazaré? Num intindi a piada! =/

PoshDrosofila,

Digamos que piriguete é uma gíria pra meninas "perigosas", entende? É o sinônimo mais familiar que consigo arrumar pro termo hehehe

Tati,

Não é? Quem explica esse ventão nas portas dos metrôs?

Line,

Dessa vez bati o recorde de tempo sem postar (2 semanas) porque tive provas e trabalhos pra entregar no mestrado, aí tava meio sem tempo...

Gente,

BRIGADÃO pelo carinho! Delícia ouvir os parabéns e desejos de mais 6 meses por aqui.

Beijãooooo!
Camila disse…
6. E o maior mistério de todos: por que piriguete não sente frio nem no Canadá?

hahahahahaahhahahaha....cara, nem no Candá? Inacreditável!

=*

Camila
Anônimo disse…
Saudades... de você e de Line... beijos Van
Unknown disse…
Ninha, Ninha, Ninha!!!
Passei uns tempos sem ver o blog de vcs e estava morrendo de saudades de rir com os seus posts.
Essa da piriguete foi a melhor!! Agora, quando eu for te visitar, eu quero passar bem longe desses insetos de Itú!!! Hahahahahahaha!!!
Te amo!!!!!!!!!
Ariane Seixas disse…
CAMILA!!!!

As piriguetes daqui sentem é menos frio é incrível!!!! É o fogo na piriquita só pode ser!!!!!

Beijos

Ari

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