Sábado das artes

Sabadão de sol e, como esse negócio de praia não tem por aqui, a natureza local (e a prefeitura) nos compensa com parques, que, gentis, nos oferecem váááárias atrações artísticas gratuitas (palavrinha mágica. No plural, ainda melhor).

Bom, não dá pra dizer que o Vieux-Port (o velho porto da ilha) é um parque, mas tem uns espaços gramados tão generosos e tanta árvore que a gente faz de conta. Vamo deixar de conversa mole e mostrar logo como é o negócio por lá?

Não sem antes dizer que o Vieux-Port talvez seja o local com mais turista por metro quadrado de Montreal.

Turistada disputando espaço com as embarcações

Essa plaquinha de madeira imitava o som da chuva,
talvez pra espantar o calorzão que fez nesse dia
(toca muito não, tá, moço?)


Só tirando a camisa pra güentar o tranco de tocar debaixo do sol

Acordeon francês + poesia cantada. Pô! Foi lindão!

Monstrinho no violão clássico!

Tudo ia bem, boa música de variados estilos pra refinar os ouvidos, esteiras e cadeiras na sombra pra todo mundo curtir os espetáculos, crianças brincando, idosos descontraídos, almofadinhas no chão, uma coisa hippie bucólica até que

flagramos um brutal e covarde atropelo de uma jovem de pele branca,
cabelos aloirados e aparentando 25 anos.
O clima de desespero e a sensação de impotência
podiam ser sentidos através do olhar de espanto dos populares
que se aglomeraram rapidamente em torno do terrível acidente
como perceber o olhar se eu cortei a cabeça de todo mundo
e a única pessoa com rosto visível está de óculos escuros?

Como a polícia demorou mais de 30 segundos pra chegar ao local do sangrento crime,
um cidadão cansado das terríveis brutalidades que regem a vida social
resolveu fazer justiça com as próprias mãos
e decretou em francês e inglês
(pra não haver denúncia de discrimincação contra o meliante):
"Teje preso!"

Calma, pai, calma, Brasil!
Não houve atropelo, não houve violência, não houve furo de reportagem.
As cenas "chocantes" vistas acima fazem parte de um espetáculo de dança
que tem como cenário um carro disposto no meio da rua.

Os 3 dançarinhos demonstram as mais diversas emoções
que a relação homem + carro podem provocar


O lance é que, de vez em quando, a repórter sensacionalista
precisa escapar das rédeas da minha auto-censura
.
Mas sempre de maneira inocente, claro!

Se alguém sofreu nessa história toda foi o pobre do carro, que foi super pisoteado.
Mas em nome da arte tá valendo, né, não?
Mesmo se for arte contemporânea

Querem ver como foi legal o espetáculo? E que esse negócio de atropelo foi balela pura? Aperta o play e sobe o som:

Comentários

Unknown disse…
Que susto, Ninha!!!
Me pegou de jeito. Essa Montreal imprevisível...
Bjs,
Paloma Varón disse…
Camilets, citei seu sacré prénom em vão no blog, para falar de um assunto muy baiano.

Pois curta todos os programas gratuitos e ao ar livre que puder. Primeiro, porque vai rarear e segundo porque esta é a graça do premier monde.

Bisous!!
Mari disse…
haha, sempre as melhores legendas!
não posso mais com acordeon, choro que me acabo -mas amo loucamente, claro.
beijo
Unknown disse…
Depois da primeira foto, percebi que não podia se tratar de um atropelo real, mas fiquei, "de cara", bem assustada, pois sei - de ouvir sua histórias sobre o Canadá - que é muito raro esse tipo de incidente por aí.
Adorei o espatáculo de dança! Que agilidade desses bailarinos!!!
Bjks!

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