Programa de autochtone*

Que aqui tem muita coisa legal as 4 pessoas que acompanham esse blog bem sabem porque tudo de bonito que a gente vê e consegue registrar vem parar aqui. Mas é lógico que Montreal não é perfeita e, como em qualquer lugar, tem muita coisa boba, monótona...

Algumas semanas atrás, estávamos os dois meio de bobeira e, ao saber que seria inaugurada uma praça aqui perto, fomos dar um saque. É, gente. Isso mesmo, vocês leram direito: inauguração de praça! Tem coisa mais provinciana que isso? Talvez quermesse (a palavra já é carregada no provincianismo), mas inauguração de praça é uma forte concorrente, né, não?

Bom, lá fomos nós conhecer a nova Place des Festivals, onde acontece a maior parte da programação gratuita dos festivais de música da ilha, entre eles o de Jazz e o Francofolies, que já passaram por esse blog.

Gente como a zorra. Isso eu achei bem legal!
O pessoal aqui participa de tudo e se apropria mesmo do espaço público


Canos coloridos de plástico foram distribuídos pro pessoal fazer umas coreografias e tal.
O efeito visual ficou bacana, mas o som da batida dos canos não era forte o suficiente
e ficava aquele silêncio imenso quando era pra ser uma pseudo-arruaça, sabe?


Tem uma fonte no meio, né?
Praça sem fonte num é praça; vamo combinar


Água com pinta de fogo

E por falar em fogo

Fogo, fogos, dá no mesmo

Quem mais se lembrou do finado padre brasileiro?
Um minuto de silêncio, tá, gente?

Aí que eu, que tenho uns ataques de só querer ver o lado bom das coisas, já tava cansando de fazer a Pollyana e tomei um susto do bem quando esse povo apareceu:


Preciso nem dizer que cantei junto e o povo ficou olhando,
na certa querendo saber que língua era aquela
e de onde saiu a criatura que acompanhou o coro


Bom, depois de inaugurada a praça, tem sempre uma programação gratuita no fim de semana. Como toda vez que ouço a palavra grátis meus olhos saltam da cavidade ocular e eu perco o senso crítico, arrastei meu gatinho pra vermos uns negócios de umas danças lá nesse último sábado.

Tava doida pra ver esse grupo de dança quebequense.
Achei que ia ter toda uma explicação histórica e tal e coisa,
mas partiram direto pros finalmente


Confesso que fiz uma coisa feia: comparei a quadrilha deles com a nossa de São João.
Placar? 10 a 0 pra gente. Não falo da música, mas do conceito mesmo.
A nossa é tão lúdica e a deles me pareceu meio metódica.
Certamente que dançar é mais divertido que olhar,mas...
Feio pensar mal do anfitrião quando ele te recebe bem, né?

Teve também esse grupo amador de dança cigana.
Amei o fato delas serem maduras e estarem jogando duro dançando e curtindo o corpo.
As coreografias eram bacanas, a música (mecânica) era excelente
(até rolar um momento Gipsy Kings),
mas sabem um negócio que não empolga?

"Alto lá!"

"Um negócio que não empolga quem, cara pálida?"

"Fale por você!"

Eu é que sou besta! A moça tá é certa e liberou a Dara!

* Autochtone é uma palavra francesa que designa "alguém que é originário do país, que não é imigrante, o nativo". No caso das Américas é o bom e velho indígena. Nem sei porque batizei o post com esse nome, detesto essa expressão. Por que programa de índio é algo ruim?

Comentários

Barbara Coelho disse…
Zentzi, essa seqüencia Papparazzi tá sensacional!
Eu, super mal-informada, nem fiquei sabendo da inauguração da praça. Pelas fotos é bem bonita :)

:**

Babi
leslapins.wordpress.com
Cinemusique disse…
Camila do céu! Não acredito! eu tava lá nesse dia, até fiz um videozinho da aula de dança também... rsrs
Uma de cada lado! vixe!
beijo
Adorei essa inauguração. Lindo o seu vídeo. Achei a dança quebequence muito simpática, simples e alegre.
Camila, muito obrigado por postar esses vídeos. Nunca pensei que fosse curtir os lugares e eventos quando aprecio e vejo que os que você apresenta. Muito interessante.
Obrigado.
Roberto

Postagens mais visitadas deste blog

Como o Canadá me fez amar a Páscoa

Reproduzindo no Québec

Eu limpo, tu não limpas